After Dark – Parte 3-

27 07 2009

-After Dark-

Parte 3


“-Três dias antes do encontro com Uil-
O pequeno escritório na entrada de seu apartamento exala nicotina em estado bruto. A fumaça é tanta que nem insetos mais resistentes sobreviveriam por mais de uns minutos. A frente de Bird esta o teclado do computador, a esquerda do teclado um cinzeiro cheio de cigarros esquecidos, alguns ainda acesos, a direita o telefone em um silêncio tão profundo que chega a ferir os ouvidos do rapaz. Em sua mão uma carta de Tarot … A Morte…”

Bird sai do banheiro pensando na carta de Tarot que estava em sua mão três dias antes. Não sabe mais em que acreditar. Caminha em direção a sala enrolado na toalha. No sofá vê Uil sentada fitando a parede branca a sua frente com olhar perdido.

___ O que está olhando tão atentamente?___ diz o rapaz.

___ A morte é mesmo uma coisa estranha, não é? Sabemos que um dia vai acontecer mais nunca estamos preparados para perder alguém.

___ É verdade, mesmo quando sabemos de antemão. Eu estava justamente pensando nisso agora. Estava com a carta da Morte na mão três dias atrás. Sabia o que estava para acontecer e não pude fazer nada, na verdade não quis acreditar.

___ E nem poderia acreditar.___ diz Uil virando-se para ele___ Você não acredita nestas coisas, lembra? Apenas estuda para suas historias. Além disso, você melhor do que ninguém sabe que dificilmente a carta da Morte aparece para mostrar uma morte física.

___ Agora nem sei mais no que acredito.___ Bird suspira___ Veja bem, estou aqui falando com minha consciência loira de olhos azuis. Diante disso, não sei mais se é tão absurdo crer em cartas de Tarot ou qualquer outro tipo de coisa.

___ Depende do ponto de vista.___ Uil levanta e se aproxima de Bird fitando seus olhos___ Se eu for fruto da sua imaginação, diga-se de passagem, insana, crer em cartas de Tarot, runas ou qualquer outro tipo de coisa continua sendo absurdo.____ dando as costas para ele continua a falar calmamente___ Por outro lado se realmente tiver algum sentido lógico ou espiritual para estes métodos divinatórios terem alguma credibilidade seria departamento de seu inconsciente, ou seja, trabalho da minha irmã. Sendo assim eu não estaria aqui.

___ Nisso você tem razão. Mas…___ Ele é interrompido bruscamente.

___ Mas olhando por outra ótica e lembrando que você não é totalmente cético. ___ A moça olha o rapaz por cima do ombro esquerdo___ Sabemos que as coisas mais absurdas escondem os maiores segredos. Afinal, Deus ou Deuses não seriam Deuses se fossem burros o suficiente de dar de mão beijada e com manual de instruções algo que pudesse resolver e mostrar todo o sentido a vidinha de merda que todos os humanos levam. Se Ele ou Eles são espertos sabem muito bem que a forma mais eficaz de esconder algo é deixar o mais visível e acessível possível, afinal, humanos são tão burros que nunca procuram as coisas nos locais mais óbvios de se encontrar.

___ É realmente faz sentido, mas …

___ Mas é preciso tomar muito cuidado com tais conclusões, pois caso acredite piamente em alguma coisa você pode acabar um fanático religioso ou coisa do tipo.___ Uil virasse e laça o pescoço de Bird com os braços___ O que te levaria a loucura na certa. No fim estará na rua mendigando um espaço nos ouvidos alheios para depositar um pouco do seu conhecimento furado e apocalíptico completamente isento de qualquer esperança em continuar uma vida descente.

___ Tá, mas…___ A voz de bird falha antes de ser interrompido mais uma vez.

___Tentaria a todo custo fazer os outros acreditarem em algo que você só acreditaria porque seria louco. Sem dúvida, um dia seria encontrado morto por desnutrição ou assassinado por algum vagabundo bêbado que ficou profundamente “magoado” com a sua ladainha “santa”.

___ Tá bom, mas…

___Mas ainda temos outra teoria!___ A loira escorrega o rosto até seus lábios quase tocarem a orelha direita do rapaz e sussurra calmamente em seu ouvido.___ Afinal, o principio básico da magia é crer nela, não importa de que forma, pois só assim ela funciona. Pensando assim acreditar é o caminho certo, só é preciso não ficar louco no meio do caminho e …

___ Dá pra você calar a porra da boca Uil?___ Bird diz baixo, mas é o suficiente para Uil parar de falar e dar sua típica risadinha sarcástica.

___ Ui, gamei! ___ Uil gargalha ___ Agora falou que nem macho! Por falar nisso, o seu amiguinho do andar de baixo ta bem animadinho. Nossa finalmente estou vendo um pouquinho de vida em você! ___ Fala sem largar o pescoço de Bird e fingindo timidez.

Bird esta visivelmente constrangido, mas não consegue tirar os olhos de Uil até que ela afastando-se lentamente diz:

___ Mas não se anime muito, não da pra você ter nada comigo além de uma boa conversa.___ leva a mão a boca para esconder o riso___ Sou sua consciência, lembra? Não pode me tocar por que não sou feita do mesmo material que você.

___ Mas você me tocou agora a pouco?___ Diz ele com voz nervosa tentando esconder a excitação com as mãos.

___ Não eu não te toquei.___ Uil fala com o dedo em riste.___ Apenas fingi ter tocado, o resto sua imaginação fez. ___ Mais uma vez a risadinha sarcástica se faz presente.___ O cérebro é mesmo muito louco. Não é preciso realmente acontecer para se sentir as coisas. Você sabia disso, agora bem melhor do que antes.

___ Estou bem arranjado com uma consciência como você.___ A barriga de Bird ronca alto.

___Acho que está na hora de comer alguma coisa, não? Vai botar uma roupa e vamos sair para comer. Não sei se esta lembrado, mas não tem nada na geladeira nem nos armários, pelo menos nada que esteja apto a ser consumido.

Bird virasse ainda excitado e constrangido e vai em direção ao quarto sem dizer nada. Realmente precisa comer alguma coisa.

Continua…





After Dark – Parte 2

15 06 2009

-After Dark-

Parte 2


“Como assim dentro da minha cabeça?”

Seus olhos falham por alguns instantes e o azul dos olhos de Uil fica ainda mais sobrenatural e intenso. Falta-lhe força nas pernas e desmaiar parece inevitável…

___ Deixa de ser fresco porra!!!! Vai desmaiar por causa disso? Você já ouviu e presenciou coisas que até Deus duvidaria e ainda gargalhou depois, agora por causa de mim você vai dar piti?

Ao ouvir o tom áspero da voz de Uil o rapaz se recompõe rapidamente, mas ainda assustado e intrigado com a situação. Ele não consegue encontrar uma explicação lógica e nem ilógica para a situação que está vivendo.

___ Você não queria se isolar e ficar na “escuridão” se escondendo como um covarde? Pois bem você conseguiu o que queria, não é tão escuro, mas você está sozinho e ninguém de fora vai conseguir incomodar você. Só tem você e sua mente agora.

___ Como assim? ___ retruca Bird ___ Você está aqui comigo, não está?

___ E quem você acha que eu sou?

___ Uma loira que apesar de linda é completamente doida e provavelmente é um delírio meu.

___ Obrigado pelo “linda”. Pelo menos isso você não perdeu, mesmo confuso e irritado consegue ser gentil. ___ Diz ela sorrindo___ Mas, recapitulando, delírio é um moça muito bonita também, mas não é loira e espero que não apareça tão cedo, pois seria bem desagradável na situação atual. Eu sou mais palpável do que ela e falo com você o tempo todo, apesar de ser ignorada há algum tempo. E partindo do fato de viver na sua cabeça só temos duas opções. Ou sou parte de você ou sou um piolho super-desenvolvido.

Bird da uma risada.

___ Julgando pela piada infame que acabou de dizer só pode ser parte de mim. Então, que parte você é?

___ Porra!! A tristeza te deixou burro? Sou sua consciência, a única da qual você não pode fugir, nem na escuridão. Aliais porque “escuridão” não tinha um nome menos piegas para dar pra essa situação? Você já foi melhor nisso!

___ Pera ai! Desde quando minha consciência é loira de olhos azuis????

___ Desde o dia que você aprendeu a ter bom gosto.___ diz olhando fixo nos olhos de Bird___ Falando sério, isso é uma coisa que você vai descobrir depois, afinal de contas meu aspecto é criação sua.

___ Ta bom, não vou insistir nisso, mas me explique que coisa é essa de escuridão. Eu só pensei nisso, pois quando quero me isolar entro num lugar escuro e pronto, ninguém me incomoda como a noite que passei na cozinha daquela casa.___ Bird sente um aperto no peito___ Só de pensar naquela casa já me dá vontade de chorar.

___ Não vou chamar isso de frescura, pois sei o quanto está sofrendo, mas “aquela casa” foi onde você passou boa parte dos fins de semana de sua infância e adolescência. Existem muitas lembranças boas ligadas a ela. Deveria lembrar-se disso agora e não tentar se maltratar ainda mais. ___ levando a mão ao queixo ela continua___ Vem cá, acho melhor acabar de tomar banho e conversarmos em um lugar seco antes que você pegue uma pneumonia. Aproveita e liga a água quente.

Bird havia até esquecido da água gelada caindo em suas costas. Uil sai do Box atravessando a porta como um fantasma, estranhamente ele não se assusta apenas virasse e abre a água quente relaxando com o calor batendo em seu rosto.

Ele toma um banho demorado e sem pensar em nada nem na menina que “acaba” de conhecer. Ao sair do chuveiro vê o espelho embaçado por causa do vapor e num movimento involuntário passa a mão para limpa-lo. Ele vê seu rosto, não está melhor do que ontem. Seus olhos estão vermelhos e as olheiras, apesar de menores, parecem mais profundas do que antes. Seu estômago dói, lembrasse que não come direto há três dias. Desde a primeira noticia ruim.

Continua…





After Dark

31 05 2009

 

Cá estou eu de volta ao mundo virtual… Ou será que este é o mundo real? Hoje em dia é difícil saber qual a diferença entre virtual e realidade a linha imaginaria que divide os dois mundos está cada vez mais imaginaria. Mas, sou um sujeito “velho” gosto de livros empoeirados muito mais do que telas de matriz ativa ou qualquer coisa do tipo.

De qualquer forma, estou de volta. Depois de um ano pensando, sofrendo, rindo, gargalhando, e parando de vez com coisas que não valiam à pena ter começado (Lamentar os acontecimentos era a principal delas) estou de volta. De Volta as letras virtuais e as não virtuais. Renascido das cinzas. Não é a toa que uma amiga de blog me apelidou de Sr. Phoenix. Mas, desta vez tive motivos fortes. Podemos chamar este motivo de pudor hipócrita. Tive medo de escrever certas coisas que me atingiam diretamente. Tive medo de usar minha própria vida como argumento para minhas historias. Mas o que seria um escritor caso não se valesse de seus próprios temores e sofrimentos para criar algo que valesse a pena ser lido? Foi neste ponto que minha mente se desprendeu e transformou-se nas linhas que vão ler a seguir.

Que fique claro:

-Não sou Bird – apenas emprestei alguns poucos traços de personalidade e alguns fatos ocorridos na minha vida.

- Nem todos os acontecimentos realmente aconteceram, nem fiquei tão deprimido assim, mas o ano que se passou foi realmente muito duro e estranhamente produtivo.

- Todos os personagens são baseados em pessoas reais, ou nem tanto, depende do ponto de vista.

Bem, sem mais delongas espero que gostem e comentem.

Sejam bem-vindos ao novo Old Memories – After Dark.

 

 

 

-After Dark-

Parte 1

 

Tímidos raios de sol esgueiram-se pelas frestas da cortina de tecido barato que cobre a janela. Bird está sentado há pelo menos cinco horas na cadeira desconfortável que colocou no centro da cozinha escura. Seu corpo está completamente entorpecido pela falta de movimento e seus olhos fitam o vazio da escuridão. Até os intrometidos raios de sol macularem as trevas Bird estava exatamente onde queria estar. Em um lugar onde nada podia ver e ninguém poderia encontrá-lo, um lugar sem vida.

Ele sabe que mesmo na escuridão sua dor não irá deixá-lo, nada nem ninguém pode curá-lo do que sente, ninguém conseguirá enxugar suas lágrimas, mas ao menos ali poderá ficar sozinho. Em meio à escuridão pode sofrer em paz sem identificar nada ao seu redor, no vazio de sua própria mente quer deixar suas asas atrofiarem lentamente encarcerado nesta arapuca que ele mesmo criou. “A escuridão é mais segura.”,___pensa ele___ “É fria e inóspita, mas é mais segura que a realidade quente e dolorosa que tenho que enfrentar. Tenho que permanecer aqui.”

Mas Bird entende que por mais que queira não poderá permanecer ali por mais tempo. Infelizmente cabe a ele a ingrata tarefa de recepcionar os “convidados” e representar a família da anfitriã que jazia dentro do caixão na capela. Não é o primeiro enterro em que Bird vai, mas é o primeiro onde estará sozinho em meio a multidão de pessoas chorosas. Sabe que estará sozinho nesta hora, mesmo sendo todos lá conhecidos estará solitário. A única pessoa que conseguia lhe dar forças nestas ocasiões está fazendo o papel do morto.

A mente de Bird não para de tagarelar:

“Seria tão simples se eu pudesse apenas desaparecer nestas sombras e não ser visto por mais ninguém. Como seria reconfortante não ter que tomar atitudes práticas numa hora dessas, não precisar ser político e simpático com pessoas que eu sei que não vão se comportar da maneira que eu penso que deveriam. É verdade que todos estão sentindo dor, mas por que será que só eu que sinto a maior de todas, e não é preciso ser nenhum gênio pra perceber, tenho que ser educado e aturar coisas que normalmente me fariam levantar e ir embora sem dar explicação? Sim, foi um parente deles que morreu, mas é do meu lado que ela não vai mais estar.”

A luz torna-se mais intensa e a cortina não pode mais conter os raios dourados. A luz do sol invade o lugar, Bird em um movimento involuntário tenta esconder-se nas sombras que ainda restam. Encostado a parede, acuado como um animal prestes a ser atacado por um predador implacável observa a luz dourada. Aos olhos de Bird parece viscosa e desagradável, algo como uma secreção contendo uma doença contagiosa e incurável… Um câncer consumindo cada pedacinho são da escuridão tão pura e segura de que precisa. O desespero toma conta de Bird, lágrimas escorrem por seu rosto e suicidam-se ao chegar a ponta de seu queixo jogando-se ao precipício que as levará ao chão já parcialmente tomado pelo câncer luminoso vindo da janela da cozinha.

“Acorde”

Uma voz suave ecoa nos ouvidos de Bird, uma voz feminina, calma e doce com um leve tom de alegria ao final. Ele fecha os olhos e a voz mais uma vez diz:

“Acorde”

A voz é sussurrada carinhosamente em seu ouvido. Ele rapidamente abre os olhos, mas não há ninguém ao seu lado. Ao olhar para frente à luz do sol o cega por alguns instantes.

___ A realidade me alcançou. ___ diz Bird para si em voz embargada

___ Não dá para fugir mais. Pelo menos por enquanto preciso enfrentar isso.

Ele está certo. Não pode fugir, tem que tomar atitudes práticas nesta hora. Apesar de não se julgar apto é o único que pode fazê-lo. Os outros estão abalados demais, cansados demais… Ele também está cansado, mas apesar da tristeza que aparenta rasgar sua pele e dilacerar sua carne é o único que pode fazer às vezes de “promoter” deste velório que não deveria estar acontecendo.

Arrastando a sombra do homem que foi uma noite atrás, Bird vai em direção a cafeteira. Pega o primeiro copo que seus olhos encontram e toma um gole de café. Um calafrio percorre sua coluna como as águas violentas de um rio montanhês após uma tempestade. Ele ri e diz sussurrando:

___ Certas coisas vão continuar sempre como são.

Com dificuldade ele vai em direção ao banheiro, precisa lavar o rosto e tornar-se apresentável para a fatídica recepção. Diante do espelho Bird vê o resultado de uma noite sem dormir. Seu rosto está pálido e a barba pessimamente aparada lhe confere um ar sujo. As olheiras grandes e negras ajudam a compor a aparência mais deprimente que já virá. Não há muito que fazer a não ser lavar o rosto e se preparar para um longo e cansativo dia.

Não há necessidade de relatar os acontecimentos seguintes. A menos que já se tenha perdido alguém muito querido o roteiro do dia vai parecer mais uma cena de enterro de filme B. Só o que faltará é a deprimente música, de domínio público para cortar custos, executada por estudantes de violino, reprovados, de alguma escola de música quase falida precisando de publicidade grátis.

A noite chega, Bird observa o sol se pondo monotonamente, mas com uma certa alegria. Finalmente sua amiga escuridão está de volta. Sem acender as luzes ele entra em seu apartamento. Uma sensação de vazio se instala em seu peito, mas não é tão desagradável, as lembranças incrivelmente são mais brandas aqui do que em qualquer outro lugar, apesar de boa parte dos acontecimentos que levaram Bird a querer se isolar tenham acontecido aqui.

Ele vai ao banheiro lava o rosto e vai para o quarto. Mergulha nas profundezas da escuridão de sua cama e se põe a pensar.

“Como irei manter-me na escuridão. Isolar-me totalmente não posso, alguma hora vou ser obrigado a encarar alguém. Não moro no meio de uma floresta de onde poderia tirar minha comida e não ver ninguém, isso aqui é o Rio de Janeiro, uma das cidades mais movimentadas do planeta. Para piorar moro em Copacabana e como se já não bastasse ainda estamos em mês de alta temporada turística.”

Bird pensa durante algumas horas e chega a conclusão que o único jeito é ficar mais deprimido do que já está. Desta maneira não vai importa-se com quem estiver ao seu lado, pois pensará apenas na tristeza que está sentindo. Vai finalmente fechar a porta da arapuca e se enclausurar em sua mente doente. Pensando assim começa a recapitular todos os momentos tristes, não só os atuais mais todos os que lembra ter vivido nos seus trinta anos de vida.

Mas o cansaço de seu corpo é maior do que pode suportar e acaba adormecendo profundamente. Um sono sem sonhos, escuro e frio. Exatamente o que estava procurando. Um buraco para se enfiar e nunca mais sair de lá.

Os minutos passam mudos até a manhã chegar.

___ Vamos! Acorde! Tá esperando o que para levantar!___Uma voz doce, delicada e insistente ecoa nos ouvidos de Bird.

Ainda mais dormindo do que acordado. Ele esbraveja com voz miúda:

___ Cala a boca. Me deixe dormir em paz. Não tenho nada pra fazer mesmo.

___ Tem sim. Tem que acordar. Precisamos conversar, pois já estou ficando entediada aqui sozinha. ___ Diz a voz em tom de birra de criança mimada.

___ Não vou acordar agora, vai ler um livro e me deixe em paz. ___ fala ele virando-se para o lado e enterrando o rosto no travesseiro.

___ Se eu pudesse segurar um livro juro que o faria. Com certeza é mais interessante do que te ver dormir deste jeito. Será que tem idéia do quanto você baba quando dorme pesado deste modo? Vai ter que colocar a roupa de cama pra secar depois disso.___ diz ela sarcasticamente e com uma risadinha ao final.

Bird está profundamente irritado, detesta ser acordado desta maneira. Está prestes a pular da cama e gritar com a dona da voz quando um pensamento estranho lhe ocorre.

“De quem é está voz? Ninguém tem a chave deste apartamento. Pelo menos ninguém vivo tem.” Ele abre os olhos e pula da cama assustado, mas não há ninguém no quarto.

____ Que merda está acontecendo? Estou ficando louco com certeza! Só eu mesmo para querer me deprimir e acabar conseguindo ficar louco. Será que não faço nada certo? Eu… Que merda, com quem que eu estou falando afinal?

Ele fecha os olhos por alguns instantes e pensa na voz.

“Será que realmente consegui desta vez? Estou ficando louco? A voz que escutei me parece muito familiar. Parece que sempre a ouvi, mas não consigo me lembrar de quem é.”

De olhos bem abertos caminha em direção ao banheiro. Olha-se no espelho e vê a imagem deprimente estampada em sua face. Tem vontade de voltar para a cama, mas está muito agitado para dormir depois de acordar tão abruptamente.

___ Banho. Não conheço muitos deprimidos que se lembram de tomar banho, mas tenho que relaxar de alguma forma. Relaxar! Tá ai outra coisa que deprimidos não pensam.

Sem parar para pensar muito arranca a roupa e pula em baixo da água gelada. Não costuma tomar banhos frios, mas um certo desejo masoquista o toma nas horas de tristeza. Quer se machucar de qualquer forma. Sente que merece, mas…

___ É covarde demais para se machucar de verdade, não é? Ainda bem que você é frouxo, assim fica mais fácil continuar vivendo.

A voz feminina mais uma vez fala em alto e bom som. Sarcástica, as palavras atingem com força o orgulho do rapaz.

___ Quem é você?__grita ele___ Onde está? Mostra sua cara! Como pode me chamar de covarde se nem tem coragem de aparecer?

___ Olhe pra traz.___ diz ela___ Será que não percebeu da onde vem o som?

Bird assustado, porém, com muita raiva virasse rapidamente e vê dentro do box uma garota. Aparenta ter uns vinte e poucos anos, baixinha com penetrantes olhos azuis de um tom sobrenatural. Os cabelos longos e dourados chegam quase à cintura e parecem produzir sua própria luz. Ela olha fixamente dentro dos olhos do rapaz. Parece poder ver sua alma, na verdade parece conhecer a alma de Bird muito bem. Ele tem a sensação de estar despido, não de roupas, mas de sua carne. Um calafrio percorre seu corpo de cima a baixo. Pensa estar vendo um fantasma.

___Não sou um fantasma e o calafrio que está sentindo é devido à água gelada caindo nas suas costas.

___ Se não é um fantasma, quem é você afinal?___ Diz ele agora sem raiva, porém muito assustado.

___ Você me conhece muito bem, mas realmente nunca fomos apresentados formalmente.___

Ela fala aproximando-se de Bird. Quando chega a poucos centímetros dele pede que se abaixe e fala ternamente em seu ouvido:

___Muito prazer meu nome é Uil e eu sempre vivi aqui, dentro da sua cabeça.

CONTINUA…

*Uil – Coruja em holandês





Voltei

11 03 2008

Hoje eu voltei de uma viagem ao passado… Voltei machucado, chamuscado, voltei à vida. Certas coisas são necessárias para nos deixar mais fortes. Posso dizer que estou muito mais forte agora.

Feliz, até certo ponto. Algumas coisas me deixam feliz, mas não tudo. Certas surpresas fizeram meus olhos brilharem, mas parece que foram apenas lampejos, flashes de algo que ainda esta por vir, mas que não depende de mim. Pelo menos por enquanto não depende de mim.

Mas, voltei… Voltei à vida, voltei às letras, voltei as minhas imagens, sejam elas desenhadas, fotografadas ou apenas imagens criadas por minha mente em alguma superfície branca. O passado deve ficar no passado seja bom ou ruim. Lembranças devem ser apenas lembranças, não devem reger seu presente, nem tão pouco, ditar seu futuro.

Voltei. Voltei à vida. Voltei com sede e com pressa. Voltei com um conselho para “EU” mesmo, mas se quiserem tomar emprestado fiquem a vontade.

“Não percam tempo se desiludindo com coisas passadas ou tentando resgatar algo que já morreu, o tempo passa rápido demais e a vida realmente é curta demais para ficar perdendo tempo com isso. Se errou, não se lamente, simplesmente concerte o erro sem pensar da mesma forma que não pensou antes de errar. Não tenha medo do novo, pois se o antigo tivesse sido bom você ainda estaria com ele e nunca teria visto o novo que apareceu.”

Não entenderam nada???? Este texto é só pra dizer que estou vivo, mais forte e procurando estar mais feliz. Estou procurando meus “Detalhes”, pois como disse há pouco tempo a uma pessoa. São eles que fazem a diferença. Um pequeno brilho na hora certa é a diferença entre um sonho e a realidade. Os detalhes são a vida da própria vida.

Agradeço o apoio de todos, os telefonemas os e-mails, os comentários e etc.

Estou de volta e vou botar ordem na casa. O Old Memories voltou.

Tadeu





Minha Irmã

15 02 2008

Os primeiros raios de sol entram pelas frestas da cortina. O dia começa bonito depois de uma chuva intensa que banhou a cidade durante dias. É estranho a chuva parar logo hoje…

Lembro-me de uma dor de cabeça de infância, sempre a sentia quando fazia algo errado. A dor vinha dos cascudos que minha irmã dava vez ou outra. É incrível como lembro disso claramente, o cascudo em si não doía muito, mas eu chorava como se estivessem me torturando. Pouco tempo depois já estava rindo e brincando com ela outra vez.

…Um silêncio estranho e doído espalha-se por toda a casa, tudo esta estranho hoje…

Avenida Atlântica, minha bicicleta vermelha sempre foi a mais rápida, minha irmã conversa com uma amiga, mas não tira os olhos de mim. Ela sabe que vou acabar caindo em alguma curva do circuito imaginário da corrida. Sinto o vento acariciar meu rosto e vejo seu sorriso ao me resgatar caído no chão. É bom saber que ela esta ali sempre que eu cair.

…A casa está vazia, falta alguém aqui… Não preguei os olhos à noite toda… O tempo passa rápido… Ou será devagar?…

Minha irmã casou. Estou feliz e ao mesmo tempo triste. Ela não vai mais estar aqui o tempo todo, não consigo ficar feliz por ter um quarto só pra mim. Mas fico feliz por ela… Ela parece feliz.

… Meus pais acordam, minha sobrinha acorda, a tensão toma conta de todos, parecemos zumbis sem saber que direção tomar…

A Mary está a caminho. Minha sobrinha nasceu, tão pequenininha nem sei o que pensar ao olhá-la. O tempo passa, minha irmã separa-se e fico cada vez mais próximo da pequenina que da luz a casa. Minha irmã aprendeu bem com nossa Mãe. Em sua vida agora só existe sua filha.

… O telefone toca insanamente, pessoas chegam… Mais zumbis sem direção chegam…

Eu casei, moro ao lado de minha irmã. Algo diz a ela que vou sofrer, mas não me fala nada, prefere comentar com nossa Mãe. Meu casamento vai desmoronando aos poucos, junto com ele minha saúde também. A depressão me arrebata de forma violenta, foi um momento muito difícil, principalmente a separação. Minha irmã sempre foi muito fechada quanto a sentimentos, mas aprendi a ler em seus olhos a preocupação. Ao notar isso percebo que tenho que melhorar… Mais uma vez é bom saber que ela está ali sempre que eu cair.

…Esta chegando à hora, não quero ir, pois estou preocupado com meus pais e minha sobrinha. Meu Pai diz que não pode ir, não agüentaria. Pergunto a minha Mãe se ela quer que eu fique… A resposta vem em forma de pergunta: “Mas ela não pode ficar sozinha! Você vai deixá-la sozinha?” Não Mãe, não a deixarei sozinha…

Alguns anos se passam, estou recuperado de um casamento desfeito e hoje moro com minha irmã. Brigamos muito por besteiras… A casca de banana deixada na poltrona é um dos maiores motivos. Brigamos um pouco e logo olhamos para o relógio… Vai começar o “Dr. House” a briga da lugar as gargalhadas. Sempre foi assim, não adianta, não conseguimos brigar por muito tempo por mais orgulhosos que nós sejamos.

…O sol parece mais quente que o normal… Estranho… Sempre faz sol neste caminho… É a terceira vez que passo por aqui… Gostaria de não ter que passar aqui hoje… Mas é inevitável…

Estou em casa com minha sobrinha, minha irmã chega… Ela não esta bem, havia tido um desmaio enquanto trabalhava. Diz que tem que descansar e vai para o quarto. Fico jogando videogame com a Mary, mas sempre vou olhar como ela está… Estou preocupado.

… Chego onde não queria chegar… Pessoas me abraçam, lágrimas escorrem compulsivamente dos olhos de todos que estão aqui. Não sei bem o que fazer… Não sei o que pensar… Mas não posso deixá-la sozinha…

Dois dias se passaram depois do desmaio. Minha irmã esta internada… CTI… Detesto esta sigla. Minha Mãe chora ao telefone ao me contar da internação. Lembro da voz de minha irmã na última vez que nos falamos… Estava sem ar, muito cansada, minhas últimas palavras com ela foram: “Ana, Chame a Mãe e vá descansar. Você está muito cansada. Não fale muito, descanse, relaxe um pouco.”

…Pessoas falam e rezam, católicos, batistas, evangélicos. Amigos e parentes, não importa no que acreditam o fato é que não da para acreditar no que está acontecendo…

Estou em casa com meu Pai quando o telefone toca. É minha Mãe dizendo que minha irmã piorou. Está muito abalada, logo desliga o telefone prometendo manter-me informado e pede para que cuide de meu Pai.

… Seguro a alça de metal dourado com firmeza, seguro como se fosse sua mão… Não vou deixá-la sozinha…

O telefone toca mais uma vez… Não quero acreditar, mas já imagino o que seja. É minha Mãe de novo. Sua voz é fraca por causa do choro, já sei o que ela vai falar: “Meu filho… Jesus levou a Ana. Jesus levou minha filha.”… Minha primeira reação ao desligar o telefone é chorar, mas ao olhar para frente vejo meu Pai em pé na entrada do quarto. Dou a notícia com cuidado junto com um abraço apertado. As palavras de meu Pai são quase as mesma de minha mãe: “Por que Jesus teve que levar minha filhinha?” A muito tempo não sou católico, mas confesso que fiz a mesma pergunta.

… O cortejo segue até o túmulo… Não largo a alça de metal dourado nem um segundo… O sol está muito forte, pequenos pássaros cantam pousados nas lápides… Seria uma cena linda caso fosse outra ocasião… O caixão desce devagar, as lágrimas escorrem de meus olhos involuntariamente… Os raios de sol são refletidos em meu rosto pelo crucifixo dourado na tampa do caixão… Deixo cair quatro flores brancas em cima do caixão, deixo-as cair depois de um beijo carinhoso… Não ha mais volta… Minha irmã faleceu…

…As gargalhas e as brigas bobas não existem mais. O sol continua a brilhar forte… Sempre que venho aqui o sol brilha deste jeito… Parece querer dizer que há coisas maiores do que eu. Coisas que não posso impedir…

Desço as escadas de uma casa que hoje não faz mais o menor sentido para mim, na varanda uma pena branca cai lentamente no chão. Coincidência sem dúvida… Certas coincidências são cruéis… Pela janela vejo meus pais e minha sobrinha… As lágrimas insistem em cair mais uma vez… Estranhamente sinto algo me confortando… Será…? Não sei, no momento não posso saber. Olho mais uma vez para meus pais e minha sobrinha, um sorriso tímido começa a surgir em meus lábios. Eles precisam de mim…Eu preciso deles… Aninha, minha irmã, não se preocupe. Agora é comigo… Vou cuidar muito bem deles, não vou deixá-los cair… Pode descansar tranqüila…

…Te amo.

Tadeu





Shashin

28 01 2008

-Hane ari Tamago-
Otsuka Ai

“Shashin”

Inicio de ano, minha caixa postal está abarrotada de e-mails de propaganda e “gracinhas” de amigos. O tédio me consome enquanto deleto as mensagens que não vou ler.

Coloco um cd que acabará de fazer com algumas músicas que gosto muito. A Primeira música é “Hane ari tamago” de Otsuka Ai. O título é estranho, “Ovo com Asas”, mas só é estranho se não levarmos em conta a letra que fala de renascimento e o medo de alçar vôo em uma nova fase da vida. Não consigo escutá-la apenas uma vez e meu dedo involuntariamente aperta o botão repeat no controle remoto.

Enquanto meus ouvidos são agraciados com o som dos violinos e a voz doce da cantora meus dedos vão apagando compulsivamente cada e-mail que vê pela frente. As letras passam rápido à frente de meus olhos, mas não leio metade delas. A música continua a ecoar pela sala, além dela, apenas os clicks do mouse são ouvidos.

A melodia entra por meus ouvidos e relaxa meus músculos levando-me a querer fechar os olhos. Entre abertos, os olhos vêem o suficiente para identificar as propagandas que serão deletadas..

A luz é fraca e o sono começa a pesar em minhas pálpebras quando um título de e-mail chama minha atenção, “Shashin”. O sono passa repentinamente e meus olhos abrem-se para ler e ver seu conteúdo.

É uma mensagem curta e muito simpática. É difícil dizer o que realmente senti, na verdade, o que me importava não era o e-mail e sim quem o enviou.

Meu primeiro impulso foi respondê-lo, mas não sabia como fazê-lo. Faltaram-me palavras diante de tamanha surpresa. Não esperava esta mensagem, pelo menos não tão cedo.

“Shashin”, está palavra não me saía da cabeça. Precisava de algo para pensar, levantei da cadeira e fui para meu lugar favorito do apartamento… A janela.

Sempre que preciso pensar vou para a janela. Ver o movimento, ou a falta de movimento na rua, me ajuda a colocar as idéias no lugar.

Era uma quarta feira tranqüila, poucas pessoas passeavam, nos restaurantes havia pouco movimento. Alguns turistas faziam fotos ao lado de um fusquinha rosa estacionado na esquina e uma senhora passeava com seu cãozinho tranqüilamente. Até os carros, que geralmente passam apressados, aparentavam calma neste dia. Os faróis pareciam pequenos vaga-lumes de tão baixos que estavam.

Não sei por que estas coisas me relaxam, mas nunca falha. Alguns minutos depois estava pensando no que responder. Mas a palavra “Shashin” continuava piscando em minha mente como um letreiro insistente que não nos deixa olhar para outro lugar. Confesso que era um belíssimo letreiro.

Logo estava sentado em minha cadeira outra vez digitando a resposta ao e-mail, não sei se consegui responder a altura de minha surpresa e satisfação ao recebê-lo. Mas foi com carinho que respondi. Não foi uma resposta muito grande, mas o titulo também era “Shashin”.

A música acaba e desligo a função repeat do som, está na hora de escutar outras coisas, mas com certeza logo escutarei “Hane ari Tamago” de novo. Tomará que ao escutá-la esteja passando por algo tão agradável quanto esta primeira surpresa do ano de 2008.





A última surpresa do místico Chinês

28 12 2007
Olá a todos. Espero que tenham sentido minha falta.
Ainda não vou postar um novo texto meu, ultimamente tem acontecido muita coisa e as ideias ainda não estão bem claras. Além de um projeto que anda me consumindo os neorônios. Mas em breve estará no ar para todos verem.
Bem… Para fechar bem o ano e desejar tudo de bom para vocês selecionei um texto (me perdoem não lembro de quem é) que, pelo menos para mim, faz muito sentido.
Espero que gostem.
Feliz 2008 para todos.
Até breve.
“A última surpresa do místico Chinês
O riso é eterno, a vida é eterna, a celebração continua. Os atores mudam, mas a peça continua. As ondas se sucedem, mas o oceano continua. Você ri, você muda – e alguém mais ri -, mas o riso prossegue. Você celebra, alguém mais celebra, mas a celebração continua. A existência é contínua, é um continuum. Não há um único momento de quebra nela. Nenhuma morte é a morte, porque cada morte abre uma nova porta, então é um começo. Não há fim para a vida, há sempre um novo começo, uma ressurreição. Se você trocar sua tristeza por celebração, então também será capaz de trocar a morte por ressurreição. Aprenda essa arte enquanto há tempo.




Telefone, bombons e cigarros.

4 08 2007
O telefone toca… Uma voz feminina diz ___ Queria apenas escutar sua voz ____ esperei muito tempo por estas palavras, no entanto, hoje não fazem o menor sentido em meus ouvidos.
Uma conversa sem nexo se inicia, duas pessoas sem graça, sem saber o que dizer. Como isso foi acontecer? Como nós não conseguimos conversar? Como duas pessoas tão íntimas não sabem o que falar?
Pela janela do quarto escuro vejo os carros passarem apressados… Ela continua a falar, sua voz é murmurada, tem um pouco de medo, angustia, um véu de expectativa transparece quando diz___ Poderia conversar a noite toda___ pergunto-me sobre o que ela poderia falar durante uma noite inteira? Sobre o que eu poderia falar durante toda uma noite?
“O amor é uma ilusão criada após o terceiro cigarro”, sábia Mian Mian e seus Bombons Chineses*, agora entendo o sentido desta frase. A voz feminina continua ecoando em meu ouvido, remete-me a um passado distante, três anos separam o ultimo “eu te amo” deste primeiro “Alô”. Nas duas ocasiões não fui eu quem falou.
A voz continua… Tento escutar com atenção… Meus olhos fitam uma senhora atravessar a rua… O quarto escuro ilumina-se com as luzes da noite na cidade… Pergunto-me. Por que estamos tentando conversar e nada de útil sai de nossas bocas? A intimidade se foi. Pelo menos as brigas se foram com ela, todas as palavras sem sentido são ditas de forma carinhosa e gentil.
Aonde foi que erramos? Em que ponto tudo desmoronou? Quatro anos separam o ultimo beijo deste primeiro suspiro. O beijo fui eu que dei o suspiro hoje é dela. Nossas vozes continuam tentando fazer sentido… Em vão.
Antes nós não precisaríamos procurar as palavras, na verdade, nem precisaríamos delas. Bastaria um olhar ou um simples balbuciar para sabermos exatamente o que o outro queria dizer. Hoje, em dez minutos de conversa, não conseguimos entender 10% do que falamos. Somos dois estranhos, dois estranhos que conhecem muito um do outro. Dois estranhos “íntimos” que perderam a intimidade.
As palavras continuam a serem pronunciadas, meus ouvidos captam, mas minha mente não assimila, acho que ela está na mesma situação. Sinto que quer dizer-me algo e não tem coragem. Eu quero escutar o que ela tem a dizer, mas tenho medo de ser verdadeiro na resposta. Antes minhas palavras estavam banhadas de magoa e minha mente fedia a raiva, teria sido mais fácil dar a resposta ao que ela não disse naquela época, não me preocuparia em machucá-la. Hoje, vejo que também errei e por isso não posso correr este risco. Como falarei a verdade sem feri-la?
A conversa acaba. Nos despedimos, uma sensação de vazio envolve meu corpo. Em minha mente imagens dela aparecem repentina e nitidamente. O primeiro beijo, a primeira noite, o primeiro aniversario, o primeiro natal e por fim o primeiro e único Adeus.
Quero que ela seja feliz, pelo amor que tive por ela e pelo carinho que ainda restou quero que ela seja feliz. Para mim não há mais como amá-la como antes.
“O amor é uma ilusão criada após o terceiro cigarro”… Meus cigarros acabaram…
Sábia Mian Mian e seus Bombons Chineses que adocicam as veias como balas de hortelã.

* Bombons Chineses (Tang / Candy)
Ano: 2001
Autora: Mian Mian
Editora: Geração Editorial





Pensamentos Sob a Luz negra

12 07 2007

Desculpe-me pelo atraso de uma noite. Esperava uma autorização que demorou para chegar.

Pensamentos sob a luz negra
“Duas Taças de Vinho e uma Pequena Deusa Nórdica”

Meus passos estão encharcados de lembranças. Ainda sinto o perfume de um passado feliz, um perfume suave, quente… Ainda escuto o som das gargalhadas, risos e sorrisos de um tempo de muitos amigos descartáveis e de algumas pessoas eternas.
O gosto… Sim, o gosto de chocolate derretido com cerejas em calda ainda permanece aqui.
O elevador chega e meus pensamentos voltam à realidade, por pouco tempo, ao clicar o andar de meu destino o presente se apaga e o passado torna-se mais vivo que ele e muito mais gostoso que o sonho de um futuro distante.
Tento pensar em acontecimentos atuais, mas por motivos infelizes eles não me parecem suficientemente atraentes e muito menos apropriados para o local onde estou. Fios dourados e esmeraldas do passado não saem da minha mente. Longos fios dourados e esmeraldas brilhantes, um brilho feliz enfeitado com lágrimas. A felicidade no brilho das esmeraldas foi por minha causa e infelizmente para mim as lágrimas que derramou também foram minha culpa. Não sabia que estas lágrimas haviam sido derramadas por mim, mas ao saber não pude deixar de culpar-me por elas. Deusas não deveriam chorar.
As portas do elevador abrem-se devagar. Ao abrir vejo os longos fios dourados e as esmeraldas brilhantes, mas desta vez não estão mais em minha mente, agora é real. Palavras eram dispensáveis neste momento. Um longo abraço se segue de um beijo no rosto. Sim é ela, minha Pequena Deusa Nórdica está aqui mais uma vez.
Nossos olhos se encontram e não sei se sinto desejo ou culpa por tê-la feito chorar no passado. Continua linda, perfeita como sempre. Tenho vontade de pedir perdão, mas já sei qual será sua resposta, “Você não sabia, não teve culpa nenhuma”, mas sinto que tive culpa sim. Por minha imaturidade e falta de sensibilidade a fiz chorar por algo que talvez ainda não possa dar.
Ela pega minha mão e conduz-me até seu apartamento, está escuro, mas ao chegar à sala encontro velas, um suave perfume de absinto e lótus e uma pequena mesa onde está servido o jantar. Mais uma vez a culpa absorve meus pensamentos. Por mais que eu não soubesse, não poderia tê-la deixado sofrer. A abraço forte e peço perdão. A Deusa procura meus lábios e um beijo lento e carinhoso dá-me a certeza de que fui perdoado.
Chocolate derretido com cerejas em calda… Sim, o gosto ainda está aqui, ainda melhor do que quando tive a oportunidade de provar. Seu beijo é como um vinho, ao envelhecer torna-se mais saboroso e valioso.
Sinto suas lágrimas escorrerem, ou seriam as minhas? Não importa, nada mais importa, ao menos hoje o mundo não existe mais. Hoje só o que existe é minha pequena Deusa de longos cabelos dourados, nada mais, apenas ela me importa.
Sinto seu gosto, nunca desejei tanto alguém quanto agora. Seu perfume mistura-se ao do ambiente. Este perfume parece me entorpecer enquanto beijo seus lábios macios. Seu coração bate forte, parece acompanhar o ritmo do meu.
Batidas fortes acompanhadas de caricias lentas. Delicadeza. Esta é a palavra que resume perfeitamente a forma de tratar uma mulher como ela. Neste momento meu desejo não é o seu corpo e sim seu sorriso. Meu êxtase será fazê-la feliz ao menos por uma noite.
Nossos olhos encontram-se. Ela sorri antes de nos beijarmos mais uma vez. Agora o desejo nos cega, o suor escorre apesar do ambiente fresco e o tapete felpudo serve de ninho para saciar um prazer aprisionado por anos. Doces palavras são ditas em meio a sussurros incompreensíveis. O perfume da Deusa parece envolver-me mais a cada segundo, seus olhos de esmeralda me fitam de forma delicada até finalmente se fecharem. Seus braços apertam meu tronco, meu êxtase chega e não vai embora por longos segundos.
Ficamos abraçados por um bom tempo, seu rosto suado brilha com a luz, está ainda mais linda assim. Mais um beijo é dado e ela levanta-se pedindo que eu espere. A Deusa usa a colcha de linho do sofá como manto e desaparece de meus olhos por algum tempo. Não consigo pensar em nada, tudo o que me afligia parece ter desaparecido.
Ela volta a passos lentos, em uma das mãos traz uma garrafa de vinho na outra uma maleta de madeira. Ajoelhasse a minha frente e abrindo a maleta e diz:

___ Isto foi feito apenas para nós. Nunca será usado por mais ninguém. Após está noite será guardado e só será usado novamente quando está noite se repetir.

Dentro da maleta encontram-se duas taças de cristal e um saca rolhas lindamente decorado. Não digo nada, estou encantado demais para dizer qualquer palavra, apenas abro o vinho e encho as taças até a metade. Abraço minha pequena Deusa e a faço repousar em meus braços. Bebemos o vinho em silêncio, mas sem desviar os olhos um do outro.
Alguns segredos são confessados enquanto a garrafa de vinho esvazia-se. Aos poucos a pequena Deusa adormece. Parece um sono tranqüilo, sua respiração é suave e seu rosto iluminado pela luz das velas transforma a cena em algo onírico. Durmo acariciando seus cabelos.
A noite acaba e uma promessa é feita antes de eu partir. Volto para casa andando pela orla. Penso no que aconteceu, penso se realmente merecia isso. Acho que sim apesar de não saber se irá se repetir. Ao menos consegui ser feliz e fazê-la feliz por uma noite. Acho que nós dois merecíamos isso.
As taças continuam guardadas. Ela me confirmou isso antes e depois de partir em uma longa viagem. Quanto à promessa, posso resumir em uma frase que ouvi num filme.

“Destino é construir uma ponte de oportunidades para o seu amor”.

Não sei se nós vamos nos encontrar ao atravessar esta ponte, mas uma coisa é certa, caso não estejamos juntos nossa amizade nos fará desejarmos a felicidade um do outro seja lá de que forma ela se apresente.

P S: Antes que perguntem se o jantar foi esquecido, digo que jantamos sim, apenas omiti está parte para não me alongar demais no texto. Além da conversa durante a refeição só ter relevância para nós dois.





Pensamentos sob a luz de um projetor oriental – II

5 07 2007

Ola a todos. Agora sim estou de volta a ativa. Passei por uma crise de excesso de criatividade e os resultados dela estão começando a aparecer. O primeiro resultado estão vendo agora. Aqui esta o novo layout do Old Memories. Finalmente depois de quebrar a cabeça consegui editar um template (com isso descobri que odeio com todas as forças do âmago do meu ser html e todos os seus derivados). Há um bom tempo queria fazer isso e colocar uma das minhas fotos no template e consegui. A escolha desta foto é simples, como falo de memórias antigas nada melhor que uma foto em estilo noir.
Quero agradecer a Leka por permitir usar sua imagem aqui. To te devendo uma caixa de chocolates pelos direitos de imagem rssssssss. Em breve contarei a historia do dia em que fiz o ensaio desta foto, sem duvida foi um dia muito divertido, nada melhor que fazer o portifólio fotografando uma amiga e com outro amigo “chato” como assistente. Se não tomasse cuidado fotografaria mais as mãos do Fafas do que a Leka rssss.
Alem do layout novo agora meu blog pode ser traduzido em treze línguas caso queiram treinar os idiomas que falam cliquem na bandeira do país desejado no topo do bloco de posts.
Gostaria de saber a opinião de todos sobre o layout, ainda vou mudar umas coisinhas mínimas que estão me incomodando, mas a opinião de todos será muito bem vinda.
Quanto ao “Azure Moon” a curiosidade de quem tem reclamado vai ser saciada a partir de sábado quando voltarei a publicá-lo. Não se preocupem, a não ser que falte luz, os capítulos serão publicados todo sábado sem falta.
Agora fiquem com a segunda parte da viagem ao cinema asiático. Continuarei na Coréia com um especial sobre o diretor Park Chan-Wook.

Pensamentos sob a luz de um projetor oriental.
Parte II
“Trilogia da vingança”

A “Trilogia da Vingança” é uma das obras mais comentadas do mundo quando se trata de cinema Coreano. Nestes três filmes podemos ver toda a criatividade (e sadismo) do diretor asiático mais cultuado da atualidade, Park Chan-Wook.
Ao contrario da grande maioria das trilogias os três filmes de Chan-Wook não são uma continuação, na verdade são filmes distintos unidos unicamente pelo tema vingança. Cada um trata de maneira única, realista e violenta este que é o mais comum e “odioso” sentimento humano.
Este diretor tem como característica ser um dos mais sangrentos da Ásia (conseqüentemente do mundo), mas com um detalhe crucial que o difere dos outros diretores do gênero, nem uma única gota de sangue é derramada de graça. Não existe em nenhum take de seus filmes a famosa “violência gratuita”, tudo tem um sentido e o público pede cada vez mais sangue a cada minuto que passa.

Sympathy for Mr. Vengeance

O primeiro filme da trilogia é sem duvida o mais realista de todos. Além do roteiro primoroso e extremamente intrincado (outra característica básica dos filmes de Chan-Wook) traz ao público dois dos maiores problemas da Coréia, saúde publica e desemprego.
O filme começa com a leitura de uma carta enviada a uma radio por Ryu, um surdo-mudo que cuida da irmã doente a espera de um transplante de rim. Ryu por não ser doador compatível resolve vender seu rim no mercado negro para custear a operação e conseguir um órgão compatível para a irmã. Mas acaba tendo seu rim roubado e apesar de aparecer um órgão para a irmã ele não tem dinheiro para custear a operação. Para complicar mais um pouco a historia perde o emprego e vê-se obrigado a acatar a idéia de sua namorada ,Yeong-mi, seqüestrar a filha de seu ex-patrão, Park Dong-jin. Mal sabe ele que apesar das aparências Park Dong-jin esta falido e passa por dificuldades para pagar o resgate. A partir daí a vingança aparece dos dois lados com acontecimentos que matariam o roteiro no meio da exibição, mas como falamos de Park Chan-Wook o resultado é sem duvida surpreendente.
Senhor Vingança (titulo brasileiro. Será lançado no Brasil até o fim do ano em DVD) é o inicio do projeto “vingança” do diretor. É um filme para poucos se formos contar as cenas bárbaras que embrulham o estômago de qualquer um, mas Chan-Wook com sua narrativa rápida e um cuidado extremo com a fotografia nos conta a historia de tal forma que ao invés de ficarmos horrorizados com os atos cruéis nos perguntamos se não faríamos o mesmo nesta situação. Qual dos lados é culpado? Ou melhor, qual dos lados tem menos culpa pelos acontecimentos? Está é a grande sacada do filme, não sabemos a quem culpar e em alguns casos nos sentimos culpados pelos personagens.
O elenco é outra grande arma do filme. As interpretações são no mínimo fantásticas. Mesmo com a barreira da língua conseguimos ver a veracidade nos olhos dos atores principalmente de Shin Ha-gyun que interpreta o surdo-mudo e emite apenas alguns grunhidos durante o filme.Outro ponto alto de interpretação é de Bae Doo-na que faz a namorada terrorista antiamericana e completamente doida do surdo-mudo. Com seu jeito despojado consegue dar uma certa leveza e humor ao filme em quanto distribui seus panfletos de protesto.
Senhor Vingança é um filme que precisa ser visto por todos que gostam de cinema inteligente e realista e principalmente para os que já viram o segundo filme da trilogia que foi lançado no Brasil em dvd há dois anos.

OldBoy

O segundo filme da trilogia é o mais surreal de todos. Oldboy foi lançado no Brasil como filme cult vencedor de vários prêmios internacionais inclusive os de critica e público em Canne. Foi exibido em poucos cinemas brasileiros, mas tomou força em seu lançamento em dvd principalmente pelos curiosos que o alugavam para ver a polêmica cena onde Oh Dae-su come polvo vivo.
Oldboy é a historia de um homem que não sabe por que foi preso dentro de um quarto por quinze anos. Seu único contato com o mundo foi pela televisão e os bolinhos fritos que o davam como refeição. Durante o tempo em que ficou preso Oh Dae-su fez da televisão, segundo suas próprias palavras, sua escola, igreja, amiga e amante. Com a ajuda dos programas que via traçava sua vingança a um inimigo que não sabia quem era. Em um belo dia ele é deixado dentro de uma mala no topo de um edifico e ai começa um jogo de gato e rato onde ninguém sabe quem persegue quem.
O filme é incrivelmente confuso e intrigante, não perde o ritmo em nem um só minuto, quando conseguimos entender alguma coisa nossos doces sonhos de prever a próxima cena são logo frustrados por mais uma revelação bombástica. A confusão está ligada a uma apresentação de personagens que não acontece, ficamos sabendo quem são os “mocinhos” e “bandidos” durante a narrativa.
Em Oldboy vemos o lado mais sádico da vingança. Oh Dae-su é tão cruel e implacável em busca de informações de quem mandou prendê-lo que por incontáveis vezes achamos Hanibal Lacter (de o silêncio dos inocentes) tão doce quanto o coelhinho da páscoa. A cena onde Oh Dae-su arranca os dentes do dono da carceragem onde ficou preso com um martelo ficou tão famosa que o Box de Dvds coreano vem com um martelo de brinde.
Não pensem que a violência das cenas transforma o filme em mais um mar de sangue sem sentido, como já disse, nada nos filmes de Chan-Wook é de graça. O filme tem uma aura suja sim, a fotografia é belíssima e muito marcada nas cenas sombrias e acaba servindo de moldura a um roteiro dúbio de ternura e horror, amor e ódio doentio. De certa forma podemos classificar Oldboy como um romance, provavelmente o mais violento de todos.

Sympathy for Lady Vengeance

Sympathy for Lady Vengeance acabou de sair de cartaz dos cinemas brasileiros. Por aqui seu nome é Lady Vingança e infelizmente ficou pouco tempo em cartaz e em poucas capitais. Este é sem duvida meu filme favorito e mesmo tendo sido exibido em apenas duas salas no Rio fiquei satisfeito de saber que finalmente chegou ao Brasil e sairá em Dvd provavelmente em edição especial dupla.
Lady Vingança é o fim da trilogia e o mais poético dos filmes de Chan-Wook. Ao contrario dos outros dois este não engana o público. A historia é apresentada de uma vez, sem férulas ou embolação. É aquilo e pronto, não há o que inventar ou mentir, mas se pensas que por isso o filme deixa de surpreender se enganou. O filme é lindo, forte, cruel, tocante, poético e emocionante.
Lady vingança conta a historia de Lee Geum-ja. Foi presa aos dezenove anos pelo seqüestro e assassinato de um menino de cinco anos de idade. Ré confessa cumpriu pena de treze anos e tornou-se uma religiosa fervorosa na prisão. Sempre gentil ajudava as outras presas chegando até mesmo a doar um rim a uma das detentas. Ao sair da prisão e ser recebida pelo pastor que a converteu sua única frase é :

___Por que você não vai se ferrar?

A partir daí descobrimos que Lee Geum-ja não é culpada do crime e só confessou pois o verdadeiro assassino mataria sua filha se não o fizesse. Passou os treze anos na cadeia planejando como matá-lo e agora irá colocar seu plano em pratica.
Este filme tem um ritmo mais lento que os demais, também é o mais bem cuidado deles. A fotografia e a direção de arte são simplesmente irretocáveis. No caso da fotografia o filme ganhou duas versões nos cinemas coreanos e que Deus queira possamos ver no Dvd brasileiro.A versão normal nos brinda com cores fortes e bem marcadas seja na maquiagem, figurino ou cenários muito bem trabalhados. A segunda versão só foi exibida em cinemas com projeção digital e no Dvd. Nesta versão do meio para o fim do filme a película vai perdendo as cores lentamente até culminar em um final totalmente preto e branco.
Outro elemento marcante é a trilha sonora composta de música erudita com vocais em italiano e inglês, combinando perfeitamente com a interpretação “espírita” de Lee Young-ae. A carga dramática e a mudança brusca de reações e sentimentos de uma cena para a outra mostra todo talento da atriz em takes de beleza extrema.
Lady Vingança, apesar de ser mais lento que os outros, matem a violência sádica dos primeiros filmes, mas desta vez com algumas diferenças que só vendo o filme para entender.

Aqui termina minha viagem pelo cinema Coreano. Na próxima quarta voltarei com os “pensamentos sob a luz negra”, mas claro, quando menos esperarem vou falar de cinema asiático de novo, afinal ainda não falei da china nem do Japão.

Obrigado pela paciência e espero que comecem a ver com outros olhos os filmes que vem do outro lado do mundo. Vou deixar aqui uma lista de ótimos filmes fáceis de encontrar nas locadoras:

Oldboy – Tem uma versão simples por 12,90 nas lojas Americanas

Medo (Tale of Two Sisters) Suspense psicológico lançado para locação. Se gostaram de “O sexto sentido” vão se surpreender com este filme. (não é muito fácil de achar mais vale a pena procurar.)

Zona de Risco – Primeiro grande sucesso de Park Chan-Wook. Fácil de encontrar nas locadoras e a venda em Dvd duplo.

Irmandade da Guerra – Conta a historia de dois irmãos na guerra da Coréia. Tão violento quanto “o resgate do soldado Ryan” mas sem o patriotismo exacerbado dele.

Memórias de um Assassino – Historia real contada como ficção. Engraçado e surpreendente do mesmo diretor de “Barking dogs never bite” (falei deste filme no ultimo post) e “O Hospedeiro” que acaba de sair dos cinemas e é uma outra ótima opção quando sair em dvd.