O véu negro da escuridão
Vão dos tempos em questão
Tempos passados em claro, hoje escuro
O escuro do perdão.
Perdão não perdoado, pois não foi falado.
Por vergonha ficou desolado.
Por medo não foi criado.
E hoje no vão criado pela escuridão
Vão-se as palavras nunca ditas.
E com os olhos fita
A vida das sombras da existência.
Negada na desistência.
De não ser o que quer ser
Por puro medo de crescer.
Crescer não é opção.
Nega-lo é caminho para sofreguidão
Que se dá na escuridão
Da noite clara em questão.
Da noite em claro onde se fez o vão.
Do tempo que não foi usado.
Do dito não dito ousado.
Do classificado como capricho
Numa folha, num rabisco.
Onde os olhos ainda brilham
Num desenho feito
Para selar o bem feito.
Mas que acabou por lembrar o mal feito.
Por culpa do medo de ser
O que se quer deixar crescer.
Mas obriga-se a acreditar
Ser apenas um sonhar
De alguns minutos num olhar.
De alguma chama a brilhar.
Em algum lugar dentro do peito.
Onde negas falar a respeito.
Mas que não entende direito
Por que não mostra ao ser.
Por quem deve crescer.
A alma que ainda respira
Vê a luz que ainda habita.
A madrugada que ainda grita.
Suaves palavras musicadas
Para as batidas compassadas
Do anjo sem asas iluminadas.
Pois sua presença não foi dada
Ao tempo na madrugada.
Que acaba habitada
Com a luz do sol filtrada.
Pelas frestas da sala usada
Na mesma festa dada
Ao som das letras musicadas
Que outrora foram encenadas.
Mas, na mesma noite terminada
Encontramos o tempo ainda vivo
Pois, vivo ele mostra
Que não há por que não haver volta
Das coisas belas que gosta.
De mostrar uma única resposta…
Que o próprio não para…
E por não parar…
A volta é certa…
De mais uma madrugada…
Mais uma certeza dada…
E mais um minuto antes do sol nascer.
Sempre dá tempo…
Na Noite Clara
Na noite em Claro.



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